A nostalgia entre o analógico e o cotidiano digital

Por Gabriel Alcântara

 O streaming facilitou a forma de consumir as músicas. Antes ficávamos no período analógico, da época da rádio, esperando que aquela música tocasse na hora. Além de propagandas absurdas de vários minutos. E nos produtos físicos, com boa parte das famílias tendo pilhas de CDs. Só não foi assim por aqui porque quebrava tudo o que tinha de vista, pela criança travessa de outrora. 

Uma coisa que percebi nos momentos que vejo a playlist das mais tocadas no mundo no Spotify é o resgate de músicas lançadas alguns anos antes. Atualmente não vive só do presente. Músicas do álbum Starboy, do The Weeknd, voltaram sete anos após o lançamento do álbum. É como o movimento das pochetes, que voltam à moda depois de um certo tempo.

A música pop se modela, após o período revolts do final de 2000 e começo de 2010. Com relação ao momento de crise financeira do mundo. Particularmente, o momento atual me agrada bastante porque prefiro tons menos pesados e que tragam paz interior e felicidade. Mesmo que todas bebam na fonte da Madonna, com 40 anos de carreira nas costas, pouquíssimas músicas no meu radar entram no estilo pop raiz.

E o algoritmo traz todas essas semelhanças que eu bem quero. Mesmo que sempre fique parado no que mais é tocado, por conveniência própria, ainda assim aproveito o que gosto de ouvir. A música é o momento completo de inspiração e liberação. Muitos momentos de uma produção de um texto e organizações diárias são levados com a música de fundo. Só consigo fazer assim, sem o som monótono do ambiente.

O início das plataformas de música me traz um período nostálgico. Horas de reproduções noturnas, somente apreciando o momento e sem pensar em nada. Escutar com o mundo em volta desacelerando, próximo de deitar-se à cama, é outra parada. Sentindo mais as notas e melodias, sem o ruído e a luz do período diurno, que não a mesma sintonia de fim do dia.

Mas não há o abandono do período analógico por aqui. Pode ser que produtos não funcionem no momento, mas minha mãe sempre quer colocar um CD para tocar durante a realização do almoço. E na época de criança e um pouquinho da adolescência, muito se era escutado nesse objeto circular que cabia poucos kilobytes dentro dele. Nada de pop, mas era assim que o começo do contato musical aconteceu.

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